quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Cenas preferidas de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

Depois de assistir e reassistir Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, resolvi listar as cenas que mais gostei. Deixando claro que não é um top, já que a lista vai seguir a ordem dos acontecimentos no filme.
Gordon e a "verdade" sobre Harvey Dent: No começo do filme, a gente vê o incômodo que é para o Gordon manter a mentira sobre Harvey Dent e como isso o consome. Como policial, exaltado como herói de guerra, e pessoalmente. No Cavaleiro das Trevas, Dent questiona porque ele "foi o único que perdeu tudo", respondido pelo Batman, mas fica claro que ele não foi. É como se o pedido feito por Gordon ao Harvey, de ser punido no lugar do seu filho, o que ele prontamente responde "é o que vou fazer", ocorresse de fato. Enquanto a cidade o vangloria, ele ainda se comporta estivesse sob a mira da arma dele, representado no flashback que aparece aqui.

A introdução de Selina Kyle: é ótimo como a Anne Hathaway vai da atitude mais menininha possível à algo mais seguro e confiante dizendo apenas uma palavra, além de sair de cena, apesar de ter sido pega no flagra. Eu acho que até se ela não tivesse chutado a bengala o Bruce não ia fazer nada, porque ele estava tão besta com o que estava acontecendo que o roubo do colar acabou se tornando uma desculpa para ele ir atrás dela depois. Mais ou menos a mesma coisa que ocorre nas HQs quando o Batman libera a Mulher Gato depois de reaver o que ela rouba porque vai querer esbarrar com ela depois. Aliás, eu fiquei tão impressionada com a Selina que na primeira vez que vi o filme que dessa cena e até a do bar, eu ri não por ter achado graça, mas por ter ficado impressionada como a personagem estava bem feita, apesar de todo meu pé atrás com o Nolan em relação à maneira como ele trataria a personagem.

O monólogo do Alfred: depois de repetir um trajeto já conhecido desde Cavaleiro das Trevas, Alfred encontra Bruce na caverna depois de muito tempo e dá o primeiro sinal que não gosta nada da ideia do retorno do Batman e fala sobre o que ele desejava para Bruce. Daí, até deixá-lo definitivamente, ele expõe o descontentamento progressivo até uma outra cena que falo depois.

Bane e o desprezo pelo ser humano: depois do Gordon ser pego por pessoas do  exército do Bane, que morrem de medo dele, ele simplesmente o despreza, mal olha. E faz o mesmo com os caras que o levam até lá, usando só as mãos e todo cheio de sarcasmo. Muita gente fala da cena do avião, mas para mim, essa cena é equivalente a da "mágica do lápis" do Cavaleiro das Trevas, verdadeira introdução do personagem mostrando a que veio.

Gordon no hospital: vi muita gente reclamar que o Gordon passa bastante tempo do filme no hospital, e que o Blake "roubou" potenciais cenas dele. Ao meu ver, o arco do Gordon nesse filme é muito parecido com o Bruce: ambos estão se consumindo pela mentira que criaram, são pegos pelo Bane, se recuperam e voltam para resolver o estrago. Não foi à toa. É legal ver que, ainda que debilitado e sozinho, ele não se abate. E vê-lo pedindo pro Batman voltar sem nem conseguir respirar direito é de cortar o coração. Além disso, ela me lembra algumas coisas: a cena do Begins em que o Bruce procura o Gordon, também usando uma máscara ninja, e o final de Batman: Ano Um, onde o Gordon, sem óculos, não consegue reconhecer quem acabou de salvar seu filho, já que no filme, além de sem óculos, ele está debilitado e provavelmente sob efeito de remédios. 

O baile de máscaras: Quando via essa cena no trailer, eu achava que a Selina ia achar o Bruce no meio das pessoas, mas surpreendentemente foi o contrário. Indo atrás do colar, Bruce acaba deixando a Selina irritada por ter atrapalhado os seus planos e ao mesmo intrigada por ter descoberto os antecedentes dela e não tê-la denunciado. Ele, por sua vez, começa a ver nela algumas motivações nobres, ainda que por meios controversos. A gente não vê uma luta entre Batman e Mulher Gato nesse filme, mas isso funciona quase que da mesma forma. 

A volta do Batman: essa cena não é boa por causa da ação ou algo nesse sentido, mas porque em alguma medida envolve todos os personagens do filme e suas reações diante da volta. A expressão do Gordon vendo pela TV, ainda que sem abrir a boca, é...nossa. E ainda retoma elementos das outras cenas parecidas com essa dos outros dois filmes: o cara içado, como no Begins, o batpod chegando antes do Batman como acontece com o Tumbler na primeira aparição do Batman no Cavaleiro das Trevas e o cara caído no chão antes do Batman aparecer de vez, parecendo uma inversão da cena em que o Batman vai com o batpod em direção ao Coringa e cai. E a mais sutil, ao meu ver: os cães do final do Cavaleiro das Trevas, que reaparecem, dando a impressão que eles estão tentando retomar de onde pararam. Eu tenho a nítida impressão que o Bruce está adorando fazer tudo aquilo de novo e pegou os policiais tão desacostumados e perplexos que conseguiu parar, pensar e escapar duas vezes. Aliás, acho que ele está tão seguro de si que deixa o Bane escapar, ainda que não saiba que é ele, porque não acha que representa uma ameaça. Mal sabia ele. 
Alfred vai embora: A empolgação pelo seu retorno faz com que Bruce fique cego diante da reação do Alfred sobre o seu retorno. E depois de observar aos poucos que o que ele vinha fazendo não era por si, mas para voltar a ser o Batman, para tentar trazê-lo a razão, o mordomo cita a carta da Rachel, talvez como última tentativa de tirá-lo da caverna  definitivamente. Os dois rompem e o pior dia da vida de Bruce Wayne desde a morte dos pais começa.
"Do you feel in charge?": Miranda assume o controle da Wayne Enterprises e Bane começa a se fazer visto e colocar o plano em prática. Primeiro passo, matar o Daggett de um jeito bem simples e colocando medo de modo mais simples ainda, só colocando a mão no ombro do cara. Sutil e muito eficiente.

Apartamento da Selina: expulso da empresa da própria família, de carona e sem dinheiro, Bruce vai até o apartamento da Selina, que está para sair da cidade por medo do Bane, para pedi-la que o leve até ele. O legal aí é que ambos estão completamente expostos e se o que mais a incomodava nele era o dinheiro, isso não existe mais.

Batman e Mulher Gato nos túneis: assim como fez com os policiais, Batman se aproveita do fato dos caras que guardam os túneis estarem sozinhos, ainda mais com a ajuda de outra pessoa, e novamente põe em prática tudo o que sabe: pega um desprevinido no escuro, surpreende outro de cabeça para baixo. Àquela altura, além de pensar que ele e Selina fazem uma boa dupla, ele está tão autoconfiante que já subestima o Bane.
Batman vs. Bane: Melhor cena de luta dos três filmes. E como disse sobre algumas cenas anteriores, ele vai construindo uma auto confiança que se torna a sua maior fraqueza. Primeiro, porque acha que derrotando o Ra's, não existe outro oponente à sua altura na Liga das Sombras, segundo por achar que o que aprendeu na própria Liga funcionaria com outros membros, e por último, como o Ra's disse no Begins, não prestar a devida atenção ao seu redor, já que eles estavam embaixo da sede da Wayne Enterprises.
Primeira aparição do Bane no estádio: Bane aparece num estádio, durante o jogo do time da cidade, espera o hino nacional acabar, transforma o campo em uma cratera e deixa  Gotham sitiada e refém de uma bomba. E faz tudo isso com um desprezo visto na entonação e nos gestos.
Blake vai atrás do Gordon: Enquanto partes da cidade vão pelos ares e quase todos os policiais estão no subterrâneo, Blake se lembra que Gordon está sozinho no hospital e corre para resgatá-lo. A tensão dessa parte é tanta que na segunda vez que vi eu estava me perguntando o que ia acontecer com o Gordon.
Bane lê o discurso do Gordon: É muito irônico alguém ser um baita orador sem que dê para ver a boca do cara. E talvez essa a melhor cena em q ele se direciona para a população de Gotham. E todo o desprezo que ele demonstra pelo Gordon no começo do filme retorna aqui, na entonação, nas pausas, nos movimentos com a cabeça. Blackgate seria aberta de qualquer jeito, mas o texto do Gordon é um bônus vindo da própria cidade que endossa o q  Bane quer fazer.
Bruce sai da prisão: Bruce tenta deixar o poço três vezes, e em cada falha, ele precisa superar coisas que acabaram se perdendo ao longo dos anos. A primeira é a raiva, mesma coisa que ele disse pro Ra's que sentia antes do treinamento no Begins, e o medo, mas dessa vez canalizado com outro objetivo, para a própria sobrevivência dele, já que pular sem a corda seria algo bem definitivo. E quando os morcegos reaparecem é a prova do reaprendizado.

A segunda volta do Batman: condenado ao exílio pelo Crane, Gordon e outros policiais andam no gelo e das sombras, Batman pede para Gordon acender um sinalizador, cujo fogo forma um morcego no alto da ponte. Além de não haver outra pessoa que mereça mais fazer aquilo, é a única vez no filme que Bane esboça algum medo.

Batman entrega o batpod para a Selina: Para criar uma rota de fuga para as pessoas durante o que vai acontecer depois, Batman pede para Selina liberar a passagem de um túnel, por onde ela poderia escapar. Me lembra um pouco o que o Coringa fez nas barcas no Cavaleiro das Trevas, só que em menor escala. E assim como lá, a fé dele nas pessoas é tanta que ele ainda tenta, mas uma vez, mostrar que vê mais na Selina, que àquela altura já sabe também que ele assumiu a culpa dos crimes do Harvey. Daí, para mim, o "tudo" que ela cita.

Batman vs Bane 2: Essa luta é o inverso da primeira em vários sentidos: primeiro, a própria posição dos dois, não há qualquer subterfúgio que os dois podem usar um contra o outro. Enquanto na primeira, ninguém, com exceção da Selina, parece se importar com o que está acontecendo, na segunda, o "exército" de policiais e mercenários parece bem ocupado. Aqui, Batman sabe o que a máscara faz e se aproveita disso.

A revelação da Talia: "Se alguém se coloca entre você e a verdadeira justiça, você simplesmente chega por trás e o esfaqueia no coração". Ra's diz isso no Begins ao botar fogo na mansão e aqui, Talia mostra que aprendeu a lição, ainda que o "coração" tenha sido de outra maneira. A frieza dela ao contar que escapou do poço, o plano de continuar o trabalho do pai é que tornam a cena legal. É um belo paralelo que se constrói entre ela e o Bruce, não só por terem escapado do poço, mas por terem tragédias parecidas na vida. Bruce tentou entender a cabeça dos criminosos para combatê-los e Talia fez a mesma coisa com ele, se tornando uma versão feminina da versão idealizada e filantropa do Bruce Wayne, enquanto Bane era o páreo crível e desafiador do Batman. Meu único problema com a personagem é que eu queria me importar mais com ela, coisa que não foi bem construída ao longo do filme.
Batman conta quem é para o Gordon: prestes a levantar vôo com a bomba para salvar a cidade, Gordon pergunta quem é o Batman. E ele faz o mesmo que fez com a Rachel no Begins, citando um fato que somente os dois sabem e a gente revê o Gordon sendo a primeira pessoa que se importou com o Bruce na noite após a morte dos pais. Se tem uma coisa que é perfeita nesses três filmes, é a construção da relação do Batman e Gordon, ainda que não existam demonstrações explícitas de afeto, é óbvio que um se importa com o outro.

O "enterro" de Bruce Wayne: com todas as suas figuras paternas e seu protegido, o "enterro" do Bruce é bem triste, além do óbvio, por causa do Alfred, que se direciona para as lápides dos Wayne e pede desculpas. Coloquei aspas no enterro porque obviamente não tem corpo e acho bem possível que passada a tristeza, um aviso do Fox sobre o conserto do piloto automático, e o rastreador do colar tenham feito o Alfred pensar em algumas possibilidades.

Gordon diante da estátua e do sinal: Na cerimônia de inauguração da estátua do Batman, Gordon é a pessoa mais distante na multidão. Primeiro porque não gosta dessas situações, e segundo porque de todos os presentes, ele é o único que se relacionou diretamente com Batman e deve achar a maior hipocrisia homenageá-lo depois de morto. A introspecção dele parece mostrar que novamente, ele está preso às correntes. Então, assim como no começo do filme, ele volta ao trabalho e revê o sinal reconstruído e as correntes não parecem tão fortes assim.

Blake encontra a caverna: Se no Begins, Bruce enfrenta os morcegos para superar o medo, aqui, Blake os encontra como uma espécie de aceitação. É a demonstração de que o objetivo do Bruce, inspirar as pessoas, foi cumprido.

Alfred volta para Florença: Como é dito no Cavaleiro das Trevas, as vezes a fé das pessoas merece ser recompensada. E a do Alfred é, ao ver Bruce acompanhado da Selina e seguindo adiante. E a presença dela tem vários simbolismos: o primeiro, o colar (que eu só vi na segunda vez) que retoma o significado inicial dele: se antes ele era uma lembrança da morte dos pais (a pior de todas talvez, já que o Chill o pede enfaticamente antes de atirar), agora é um presente dado a Selina, assim como do seu pai para a mãe, além de ambos não usarem mais preto. Há quem viaje um pouco mais e diga que o fato do vestido dela ser azul remete a uma mudança de vida, assim como foi com a flor azul nas montanhas no Begins.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Origem do Bane é contada em cena excluída de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge

(Imagino que a essa altura falar de Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge não é mais spoiler. Portanto, não farei mais ressalvas.)
Depois da estreia, Lindy Hemming, figurinista do filme, disse em uma entrevista à GQ americana que uma cena deletada do filme, um flashback, daria mais detalhes da origem do Bane, sem saber que estava fora da versão final:
"O que você deveria ter visto na sequência é Bane sendo ferido. Então uma das coisas fundamentais sobre esse figurino é que ele tem uma cicatriz do seu ferimento nas costas. Mesmo se ele não tivesse o colete à prova de balas, ele ainda precisa usar o cinturão e os suspensórios. Naquela cena na prisão, onde ele está aprendendo a lutar da mesma forma que Batman aprendeu, ele está usando uma primeira versão do seu cinturão, mas não é a versão definitiva. Ele também está usando uma primeira versão da sua máscara de gás...Se você ver no filme, ao menos que eles tenham cortado - e tenho certeza que não o fizeram - há toda uma sequência inicial de Tom Hardy onde ele está lutando e sendo hostilizado. Ele está preso por correntes e está sobre um negócio de madeira enquanto as pessoas o atacam. E nesta cena, ele está usando uma versão muito mais esfarrapada, primitiva, da máscara".
Bem, no filme a gente sabe maiores detalhes sobre a máscara, ditos no começo. Do jeito que ficou na versão final, parece que os flashbacks priorizaram contar a história da Tália, apesar de não explicitarem em momento algum que se tratava dela, já que sempre se refere a uma criança, sem definir o sexo, levando a maioria das pessoas a crer que a história era do Bane, já que ele diz que "cresceu na escuridão", "veio completar o destino do Ra's Al Ghul", "é a Liga das Sombras". Inserir mais detalhes da origem do Bane quebraria essa opção, ao meu ver, apesar de que, pela descrição, se assemelha um pouco a uma cenas de treinamento do Bruce em Batman Begins.
E como nenhum dos dois filmes têm cenas deletadas no material extra, acho bem difícil isso acontecer agora.
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