quinta-feira, 19 de julho de 2012

Mulher Gato em outras midias


Televisão:
Talvez uma das versões mais célebres e influentes da Mulher Gato foi a feita pela Julie Newmar na série dos anos 60, a primeira das três atrizes que viveram a personagem. Primeiro, pelo contexto da época: essa versão da personagem é contemporânea ao retorno da Mulher Gato aos quadrinhos, depois de vários anos sumida por causa do Comic Code Authority. O primeiro episódio com a personagem, "The Purr-fect Crime", foi ao ar pela primeira vez em março de 1966, antes do retorno da personagem aos quadrinhos:
Alguns elementos trazidos pela Julie Newmar na série, como o bom humor da personagem, a maneira de falar e, algo que já existia mas fica acentuado na série, a eterna "briga de gato e rato" com o Batman, acabaram incorporados em todas as versões. A roupa utilizada na série em si, serviu de modelo para a que reaparece nas HQs depois dos vários anos que passou sumida e em alguma medida, é utilizada até hoje na personagem.
Um fator interessante da Mulher Gato na série de TV é que nunca há uma referência à Selina Kyle, além de coisas impagáveis, como os ajudantes vestidos a caráter, a "decoração" do QG dela, Batman e Mulher Gato dividindo um milkshake num restaurante, o fato dela ter uma ajudante chamada Pussycat em um dos episódios e de, toda vez que menciona a possibilidade de trabalhar junto com Batman, ele questiona como Robin ficaria nessa situação, e ela dá a mínima para o menino prodígio. :)

Além da Julie Newmar, outras duas atrizes foram a Mulher Gato na série, Lee Meriwether, no filme Batman - O Homem Morcego, com o mesmo elenco da série (ela também participou do seriado, mas não como Mulher Gato) e mais para o final da série, Eartha Kitt.

Ainda em séries televisivas, há a rápida aparição da personagem em Mulher Gato: A filha do Batman Birds of Prey, ja que na série, a Caçadora, assim como na Terra-2 dos quadrinhos, é filha da Mulher Gato com o Batman. A aparência dela é a imagem e semelhança da Michelle Pfeiffer em Batman - O Retorno.
 
Séries animadas:

Na séries de The New Adventures of Batman and Robin, criada nos anos 1970 e inspirada na série do Adam West e Burt Ward, a Mulher Gato era muito diferente de qualquer coisa já feita sobre a personagem. Ela ainda apareceu no Superamigos, na mesma época, também com outro visual:

Na série animada dos anos 90, a Mulher Gato aparece em vários episódios. Com a aparência muito influenciada pela Michelle Pfeiffer em Batman - O Retorno, Selina Kyle aqui é loira e uma socialite defensora dos animais, principalmente os felinos. O uniforme nessa versão é cinza e em vários dos roubos ela leva como ajudante sua gata, Ísis. Entre as várias situações da série, Selina chega a ser presa e “desistir” da Mulher Gato, se torna uma mulher gato em outro e em um episódio que se passa num sonho de Bruce Wayne, está noiva dele.

Na quarta temporada do desenho, à exemplo de vários outros personagens, a aparência da Mulher Gato muda. Dessa vez, ela é morena, com os cabelos curtos e o uniforme é preto, além da pele ser muito, mas muito pálida.
Além dos episódios, essa versão da Mulher Gato, junto com o Batman, protagoniza um curta chamado Chase Me. Sem falas e com uma das inúmeras perseguições de Batman e Mulher Gato, uma bela síntese de como funciona a relação dos dois ao longo dos anos:

Depois da série animada, essa versão da personagem ainda aparece em Gotham Girls, uma série animada feita para a internet protagonizada por várias personagens femininas do universo do Batman, como Hera Venenosa, Arlequina, Zatanna e Reneé Montoya:

Nos anos seguintes, ela ainda apareceu na série The Batman, com um uniforme completamente diferente de tudo que já foi usado pela personagem.
Em Batman: Bravos e Destemidos, onde, assim como o restante dos personagens da série, tem o visual inspirado nas versões antigas dos personagens. No caso dela, o vestido roxo e verde da Era de Ouro. Em um dos episódios, ela aparece com uma outra versão antiga, com uma máscara vermelha:

Aliás, essa série ainda tem um número musical da Mulher Gato com a Caçadora e a Canário Negro, com Bruce Wayne Fósforos Malone na plateia.

Na versão animada de Batman: Ano Um, como não poderia deixar de ser, a personagem aparece, além de protagonizar um curta que vem junto com o filme:


Cinema:

Eis que em 1992, a personagem ganha uma nova versão, talvez a mais lembrada pelo público geral até hoje: Em Batman - O Retorno, a Mulher Gato “concebida” por Tim Burton e vivida por Michelle Pfeiffer. Nessa versão, Selina Kyle é secretária de Mark Schreck (Christopher Walken). Desastrada, com nenhuma autoconfiança e morando num apartamento que poderia ser uma casa de boneca, é jogada pela janela por Schreck após vê-la mexendo em documentos supostamente secretos. Selina sobrevive a queda após ser “ressucitada” por gatos. Ela desperta se comportando de maneira completamente oposta a de antes e cria a sua roupa a partir de uma jaqueta.


À exemplo do que ocorre nos quadrinhos, Selina rouba alguns objetos, além de explodir prédios e em certa medida colocar à prova a paciência e concentração e sentimentos do Batman, questiona o papel "social" de algumas pessoas que cruzam com ela na história, como os policiais e a mulher que salva, além de estar diretamente ligada a outros personagens do filme, como o Pinguim e o próprio Mark Schreck. E, claro, o comportamento dela é extremo, bem representado por coisas como botar um passarinho vivo na boca ou beijar o Batman com a língua. Tais elementos são condizentes com a atmosfera do filme e coisas assim são comuns em outros filmes do Tim Burton. Não que isso seja ruim, mas é uma linha existente no filme e que funciona perfeitamente dentro dele.
Um outro elemento interessante que a Mulher Gato acaba levantando no filme é a ideia de independência e a não-submissão feminina em relação aos homens. Além disso, toda a ambientação “fantástica” presente, como a própria arquitetura de Gotham, os elementos circenses, além do fato de se passar no Natal, época que em tese as pessoas estão mais propícias a se envolverem por coisas que fogem à sua realidade de todos os dias, contribuem para os personagens “desajustados” do filme, inclusive a própria Mulher Gato, que se recusa a “viver num castelo” com Bruce Wayne por não conseguir lidar consigo mesma nessa situação. Isso fica explícito, não só no final do filme, mas quando Bruce e Selina se dão conta das suas identidades no baile de máscaras.
A relevância dessa versão é tão grande que influenciou diretamente outras versões da personagem nos anos seguintes, como na série animada e na pequena aparição da personagem em Birds of Prey, além de ser, ainda hoje, a imagem geral da personagem para o grande público. Além disso, o sucesso da Mulher Gato nesse filme também influenciou no lançamento da revista solo dela, nos anos 90, que existe até hoje. O único efeito colateral do sucesso foi o lançamento de Mulher Gato, aquele da Halle Berry, doze anos depois.
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