sexta-feira, 18 de julho de 2008

Batman - O Cavaleiro das Trevas


Após uma campanha de marketing primorosa, Batman - O Cavaleiro das Trevas chega aos cinemas como um dos filmes mais esperados do ano. Não só cumpre o que promete, mas vai além.

No longa, Gotham City sofre as consequências do surgimento de Batman (Christian Bale). A cidade está repleta de criminosos que, cansados de terem suas ações interrompidas pelo vigilante mascarado, buscam ajuda de um outro criminoso, o Coringa (Heath Ledger). Mas, ao contrário dos mafiosos, a motivação dele é somente gerar o caos. Em meio a isso, Harvey Dent(Aaron Eckhart), o novo promotor público da cidade, tenta colocar todos os criminosos atrás das grades. Dent é a representação da esperança dos gothamitas em um futuro melhor, inclusive a de Bruce Wayne, que vê no Cavaleiro Branco de Gotham não só o agente que tornará a cidade melhor, mas aquele que assumirá o posto de herói no lugar de Batman, cada vez menos desacreditado. Ao lado de Dent nessa caçada, estão o próprio Batman, Gordon (Gary Oldman) e Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal), amiga de Bruce e namorada de Dent. A situação começa a fugir do controle quando o Coringa começa a cumprir o seu acordo com os bandidos, e a partir daí, todos são potenciais vítimas do Palhaço do Crime.

Em termos de quadrinhos, é perceptível a inspiração em Batman #1, O Longo Dia das Bruxas e em determinadas situações, O Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller. O Coringa de Heath Ledger pode não ter uma origem, mas elementos de A Piada Mortal, de Alan Moore, estão presentes.

Eu não tenho nenhuma queixa a fazer do elenco. Christian Bale encarna Wayne e Batman com a mesma competência de Batman Begins. É perceptível que ele amadureceu no papel e Batman está mais presente na telona que no filme anterior. Para quem não gosta da rouquidão que o ator dá a voz quando está sob o capuz e a máscara, talvez seja complicado. Michael como o mordomo Alfred, Morgan Freeman como Lucius Fox, novamente competentíssimos. Maggie Gyllenhaal dá a força que faltou a Katie Holmes no papel de Rachel. Gary Oldman, com mais destaque dessa vez, mostra o camaleão que é. Gordon ganha uma subtrama e quase dá pra acreditar que podem existir policiais incorruptíveis e extremamente leais ao que fazem.

Heath Ledger fez o papel da sua vida. É triste demais pensar que não o veremos novamente na telonas. Seu Coringa é louco, sádico, sadomasoquista, inescrupuloso, psicopata, insano e repleto de humor negro. A versão dele para o personagem é completamente diferente encaixável no universo de Batman Begins e melhor que Jack Nicholson. Ledger conseguiu desaparecer por trás da maquiagem, do cabelo descolorido, das cicatrizes, da roupa surrada, da voz grave e inconstante e do seu primoroso desempenho. Isso, muitos atores tentam a vida inteira e não conseguem. E Nicholson não fez isso em 89. Aaron Eckhart dá a Harvey Dent toda a imagem de salvador, da materialização da esperança de Gotham e a queda do promotor após um terrível acontecimento que, na verdade, só traz à tona algo que ele já demonstrava ter dentro de si.

Poucas vezes eu vi um filme onde a trilha sonora estivesse tão presente. Parabéns a James Newton Howard e Hans Zimmer pelo excelente trabalho.
Apesar de não ter flashbacks e ser linear, existem cenas do filme que dialogam diretamente com outras de Begins. Destaque para uma que envolve Alfred e Bruce, logo após um dos maiores acontecimentos da trama. As falas e a situação, com as devidas adaptações, são idênticas a uma que envolve o jovem Bruce Wayne e Alfred em Batman Begins. Outras duas, entre Batman e Gordon e entre Rachel e Bruce, tem a mesma situação.

São duas horas e meia que passam voando. Não há tempo para se recuperar entre uma cena e outra. A ação não cai em nenhum momento. Os alívios cômicos, criticados por muitos em Begins, dessa vez estão melhor encaixados. Por várias vezes, eu esqueci que se tratava de um filme baseado em histórias em quadrinhos e espero que não seja encarado pelas pessoas dessa forma.

Para quem acompanhou o marketing viral, logo no início do filme, há uma relação com as ações de publicidade. É uma rápida passagem na televisão. Quem assistir a última edição do Gotham Tonight vai entender.

O final do filme é poético. Não há uma ligação direta para uma continuação mas certamente as frases finais vão ficar nas nossas mentes por muito tempo.
Christopher Nolan e sua equipe fizeram o melhor filme do personagem até hoje. Ao mesmo tempo que nos impressiona pelo resultado final, nos faz pensar como agiríamos nas situações que são apresentadas. Gotham não está tão distante de nós, como pode parecer. A população da cidade tem grande participação na trama e podemos nos ver facilmente nessas pessoas. Se alguma vez nos perguntamos se seria bom ter heróis na sociedade, o filme nos leva a pensar a respeito.
A minha nota, sem medo de ser feliz, é 10.

Com isso, vou me ausentar do blog nas próximas duas semanas. Eu sei que há muito a se repercutir ainda e, por isso, é provável que eu poste novamente em breve. Por hora, desejo a todos um ótimo filme, curtam muito e agradeço as visitas. Toda a espera dos últimos dois anos valeu muitíssimo a pena.

That's all folks!
Related Posts with Thumbnails