quinta-feira, 12 de junho de 2008

A Piada Mortal: a "origem" do Coringa



De Alan Moore e Brian Bolland, "A Piada Mortal" foi lançada em 1988 e narra uma das intermináveis buscas de Batman pelo Coringa, após mais uma fuga do Palhaço do Crime do Asilo Arkham. Os flashbacks do personagem, enquanto põe mais um plano em prática, mostram o que seria a origem do Coringa.

A história começa com Batman chegando ao Arkham com a intenção de apaziguar a conturbada relação com o Coringa. No entanto, logo ele percebe que o bandido não está lá. Distante dali, Coringa adquire um velho parque de diversões e começa a executar o seu plano: vai até a casa do Comissário Gordon e atira em Bárbara Gordon, filha do comissário, a atingindo na coluna. Há quem diga que, nessa parte, Coringa também estupra a jovem ferida. Além disso, ele sequestra Gordon.

Entre essas passagens, ocorrem flashbacks onde Coringa se recorda de, no passado, ter tentado a carreira de comediante e como não obteve sucesso, mora numa área ruim da cidade com a esposa grávida. Diante da situação, ele aceita participar de um assalto a uma fábrica onde trabalhava anteriormente.

Na véspera do dia do assalto, a sua mulher morre. Porém, ele é obrigado a cumprir o compromisso. Ele participa da ação utilizando um capuz vermelho, prática que estava se tornando comum em outros crimes ocorridos na cidade, onde supostamente, o líder da quadrilha seria o Capuz Vermelho. O assalto dá errado, pois a polícia e Batman chegam. Desesperado, sem enxergar direito e tentando fugir, o homem cai num enorme tonel com substâncias químicas que deixam a sua pele branca e os cabelos verdes.

Voltando à realidade, Coringa sequestra Gordon e leva para o tal parque de diversões, lá, o policial é hulmilhado e vê fotografias tiradas de sua filha nua, ferida e gemendo. Com esse plano, Coringa quer provar que qualquer pessoa pode enlouquecer desde que tenha um dia ruim. Batman chega, resgata Gordon, que está são mentlamente, e vai atrás de Coringa. Ao, enfim, alcançar o bandido, o Homem Morcego tenta novamente conversar com o Palhaço, que argumenta de forma extremamente racional, diferentemente das outras inúmeras vezes que os personagens se encararam. Para exemplificar o seu pensamento, Coringa conta uma piada, da qual Batman ri animadamente, junto com o seu nêmesis.

Ao contrário do que muita gente defende, não acho que "A Piada Mortal" pode ser considerada "a" origem do Coringa por um motivo muito simples: o próprio personagem diz que prefere "ter um passado de múltipla escolha", o que significa que a história narrada nos flashbacks não é necessariamente a dele.
O valor da graphic novel está em abordar Batman e Coringa não como herói e vilão de uma história estereotipadamente. Eu diria que os papéis dos personagens estão invertidos no início e fim da história. Se o Coringa era o insano no início, ele mostra sanidade no final da narrativa. A piada contada pelo Coringa fala de dois loucos que querem fugir de um hospício. Um deles, foge e oferece ajuda para o outro fazer o mesmo através de um feixe de luz de uma lanterna, por onde ele atravessaria para o prédio ao lado. O louco se recusa, questionando se o amigo não apagará a lanterna no meio do trajeto. Essa piada é uma metáfora que se encaixa perfeitamente para os dois personagens: dois loucos que resolveram utilizar máscaras para evitar encarar a realidade dura de "um dia ruim", mas que, um deles, tenta escapar da insanidade através de seus próprios meios, enquanto o outro se recusa a sair dela. O "tratamento de choque" que Gordon é sumetido mostra que nem todos, apesar dos pesares, externam os seus piores sentimentos apesar da dor.

A transmissão da loucura não fica somente nas palavras dos personagens. A arte, as cores da história são tão intensas que causam um pouco de desconforto, transmitindo essa loucura.

Por mais que não seja considerada para Batman - O Cavaleiro das Trevas, é muito provável que o filme aborde as semelhanças gritantes entre os personagens e, por conta disso, os conflitos.
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